sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
sábado, 1 de novembro de 2008
sábado, 9 de agosto de 2008
Alpendre
Do orvalho a pousar-lhe a face
Sorris infeliz, no entanto
A tristeza tua como a noite
Refletida em parte no espelho
O sereno te beija o rosto
No vazio do teu peito me preencho
Sopra palavras para mim
Suspira
Os anjos em apreensivo coro
Silencia o teu canto
Desfigura os lábios
Trepidante recua
Recolhe as asas, adormece
Co' esta nuvem te acalanto
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Sinceridade
Quem, no entanto, disse que eu quero um céu claro se eu prefiro o castanho desta tempestade?
Mais ruído...
Feito previsão do tempo: venta agora, depois a tempestade. Dizem que o céu fica azul e bonito depois, mas está tudo cinza.
¹Ruído...
Absinto*
Quarta-feira
– Documentos do veículo e CNH, por favor.
– Nenhum verso?
– Nenhuma rima, senhor.
– Não precisa rimar, isso é crime inafiançável.
– Soldado, dá uma olhada no porta-luvas e vê se acha algum resquício de poesia.
– Nada, sargento.
– Liberado, então.
– Peraí, sargento. Tem um guardanapo aqui. Olha só: dois tercetos! Com chave de ouro e tudo o mais.
– Me passa aqui, soldado. Medeiros, venha aqui ver o que achamos!
– Que isso, Borges?! Alexandrinos perfeitos. Carro bacana só podia dar nisso. Lembra aquela Brasília d’outro dia? Terminava tudo com coração e paixão.
– Sargento, com licença. Isso aqui não é uma rima rara?
– Prenda os documentos do carro.
Não falei das flores
Conversar com poetas é bom agouro e sinal de novos textos – ainda que, aparentemente, sem leitores. Ainda que nada se aproveite em um turbilhão de vida, uma conversa vespertina é de inspiração imensurável.
Quem pretendemos enganar? É mais que sabido o assunto que permite todos estes diálogos à tarde. Por mais que os poetas me ajudem, minha escrita segue sendo você, tão indefinida quanto os misteriosos leitores.







